Distimia (Transtorno Depressivo Persistente): Sinais, Teste e Tratamento
Resposta direta
A distimia, chamada no DSM-5 de transtorno depressivo persistente, é uma depressão de longa duração: humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos em adultos (1 ano em crianças e adolescentes), com sinais como cansaço, baixa autoestima, desesperança e alterações de sono e apetite. Não existe um teste que confirme a distimia: questionários como o PHQ-9 olham só as últimas 2 semanas e servem de rastreio. O diagnóstico é feito na consulta, e o tratamento combina psicoterapia e, quando indicado, medicação.
Distimia ou depressão maior?
| Distimia (transtorno depressivo persistente) | Episódio de depressão maior | |
|---|---|---|
| Duração | 2 anos ou mais, sem intervalos de mais de 2 meses sem sintomas | Pelo menos 2 semanas; costuma ter começo e fim |
| Intensidade | Em geral mais leve, mas contínua | Moderada a grave |
| Início | Muitas vezes na adolescência ou no começo da vida adulta, sem data clara | Pode começar em qualquer idade, com mudança perceptível |
| Como a pessoa descreve | "Sempre fui assim" | "Eu não era assim" |
O DSM-5 reuniu, sob o nome transtorno depressivo persistente, a antiga distimia e a depressão maior que dura dois anos ou mais. Por isso, um quadro persistente também pode ser intenso.
Sinais da distimia
O centro do quadro é o humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias. Em crianças e adolescentes, pode aparecer como irritabilidade. Junto com ele, há pelo menos dois destes sinais:
- apetite diminuído ou comer em excesso;
- insônia ou sono em excesso;
- pouca energia e cansaço;
- baixa autoestima;
- dificuldade de concentração ou de tomar decisões;
- sensação de desesperança.
Ao longo desses dois anos, a pessoa não passa mais de dois meses seguidos sem os sintomas, e o quadro causa sofrimento ou atrapalha o trabalho, os estudos ou as relações.
Existe teste para distimia?
Não existe um questionário que dê o diagnóstico de distimia. O teste de depressão (PHQ-9) é útil como rastreio, mas pergunta sobre as últimas duas semanas, e o que define a distimia é a duração. Um resultado leve no PHQ-9 em alguém que se sente assim há anos merece avaliação.
Antes da consulta, ajuda anotar:
- há quanto tempo se sente assim, se houve períodos bons e quanto duraram;
- se houve fases de piora intensa;
- se houve fases de energia excessiva, pouca necessidade de sono ou impulsividade;
- tratamentos já feitos: psicoterapia, medicações, doses e tempo de uso;
- uso de álcool ou outras substâncias;
- doenças clínicas e remédios em uso.
Por que muita gente acha que é o jeito de ser
A distimia costuma começar cedo e sem um marco. Como a pessoa não se lembra de ter se sentido diferente, o desânimo, o pessimismo e a autocrítica passam a ser vistos como personalidade, por ela e por quem convive com ela. Esse é o principal motivo de o diagnóstico demorar anos. Com o tratamento, muitas pessoas descobrem que o que achavam ser o seu temperamento era sintoma.
Depressão dupla
Quando um episódio de depressão maior aparece em cima de uma distimia, fala-se em depressão dupla. É comum: boa parte das pessoas com distimia tem ao menos um episódio de depressão maior ao longo da vida. Muitas só procuram ajuda nessa piora, e o tratamento precisa mirar também o quadro de base. Se não, a pessoa melhora do episódio e volta ao "normal" dela, que continua sendo a distimia.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico, na consulta psiquiátrica, com base na história e nos critérios do DSM-5-TR (transtorno depressivo persistente), da CID-10 (F34.1) e da CID-11 (6A72, transtorno distímico). A avaliação também procura o que pode imitar ou acompanhar o quadro:
- transtorno bipolar, com perguntas sobre fases de euforia ou energia excessiva, porque muda o tratamento;
- causas clínicas, como alterações da tireoide, com exames quando indicados;
- uso de álcool e outras substâncias;
- quadros associados, como ansiedade e TDAH.
Veja também os tipos de depressão e como cada um se diferencia.
Tratamento
- Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental e a psicoterapia interpessoal têm evidência na depressão crônica, e existe uma abordagem criada especificamente para ela, o CBASP. Veja as psicoterapias para depressão.
- Medicação: antidepressivos têm eficácia demonstrada na distimia. A escolha considera os sintomas, outras condições de saúde, efeitos colaterais e tratamentos anteriores.
- Combinação: na depressão crônica, psicoterapia e medicação juntas costumam funcionar melhor do que cada uma isolada.
- Tempo: como o quadro é longo, o tratamento também tende a ser. O objetivo é a remissão, não aprender a conviver com os sintomas.
Saiba mais sobre o tratamento da depressão.
Quando procurar um psiquiatra
Se você se sente para baixo na maior parte dos dias há meses ou anos, e isso pesa no trabalho, nos estudos ou nas relações, vale uma avaliação, mesmo que pareça ser o seu jeito. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, não espere: procure um pronto-socorro, ligue 192 ou fale com o CVV pelo 188.

Avaliação psiquiátrica
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Dr. David Sosa Dias · IPUB/UFRJ · CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051 · Botafogo e telemedicina
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Perguntas Frequentes
O que é distimia?
É uma depressão de longa duração, chamada no DSM-5 de transtorno depressivo persistente: humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos em adultos, com sinais como cansaço, baixa autoestima, desesperança e alterações de sono e apetite.
Qual a diferença entre distimia e depressão?
O episódio de depressão maior dura pelo menos 2 semanas e costuma ter começo e fim. A distimia dura 2 anos ou mais, em geral com sintomas mais leves e contínuos. Quando um episódio de depressão maior aparece em cima de uma distimia, fala-se em depressão dupla.
Existe teste para distimia?
Não existe um questionário que confirme a distimia. O PHQ-9 serve de rastreio, mas avalia só as últimas 2 semanas, e o que define a distimia é a duração. O diagnóstico é feito na consulta psiquiátrica.
Distimia tem tratamento?
Sim. O tratamento combina psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, e, quando indicado, medicação antidepressiva. Na depressão crônica, a combinação costuma funcionar melhor. O objetivo é a remissão dos sintomas.
Distimia é o mesmo que ter personalidade pessimista?
Não. Como a distimia começa cedo e dura anos, os sintomas costumam ser confundidos com o jeito de ser. Quando o quadro é tratado, muitas pessoas percebem que o desânimo e a autocrítica eram sintomas.
Qual é o CID da distimia?
Na CID-10, distimia é F34.1. Na CID-11, é 6A72 (transtorno distímico). No DSM-5-TR, o quadro se chama transtorno depressivo persistente.