História dos Diagnósticos Psiquiátricos

Diagnóstico psiquiátrico não é categoria fixa — é construção clínica que evolui com a ciência, a nosologia e a prática. Esta página reúne, em uma única cronologia, os marcos que definem como hoje compreendemos os principais transtornos atendidos no consultório do Dr. David Sosa. De Sir George Still descrevendo a falha de controle inibitório em 1902 ao DSM-5-TR de 2022, cada diagnóstico tem uma história — observações originais, primeiras descrições, reorganizações de critérios e debates clínicos que persistem. Conhecer essa história é parte de uma avaliação criteriosa.

TDAH — marcos clínicos

A história do TDAH em adultos atravessa mais de um século de reformulações nosológicas — de descrições pediátricas no início do século XX ao reconhecimento formal da apresentação adulta nas classificações contemporâneas.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de TDAH adulto exige reconstrução longitudinal dos sintomas desde a infância, evidência de prejuízo funcional persistente em múltiplos contextos e diferenciação criteriosa com ansiedade, depressão, bipolaridade, TEA, transtornos do sono e uso de substâncias — nenhuma escala isolada substitui essa avaliação.

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Autismo (TEA) — marcos clínicos

A trajetória do diagnóstico de autismo atravessa pouco mais de um século — de uma descrição vinculada à esquizofrenia até a noção contemporânea de espectro dimensional do neurodesenvolvimento, que persiste ao longo da vida adulta.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de TEA adulto — cada vez mais frequente, sobretudo em mulheres com camuflagem social — exige anamnese desenvolvimental detalhada, relatos colaterais e instrumentos validados, além de diferenciação cuidadosa com TDAH adulto, fobia social, personalidade esquizoide e demais transtornos de personalidade.

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Ansiedade — marcos clínicos

A compreensão da ansiedade como entidade clínica evoluiu de descrições filosóficas e neurológicas para categorias diagnósticas distintas — passando pela neurose freudiana, pela separação do pânico nos anos 1960 e pela arquitetura categorial dos manuais modernos.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, diagnosticar ansiedade exige delimitar o fenótipo — TAG, pânico, agorafobia, fobia social, TOC ou TEPT — e excluir causas clínicas como disfunção tireoidiana, cafeína e estimulantes. A leitura precisa também considera comorbidade frequente com depressão e TDAH, que modifica prognóstico e escolha terapêutica.

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Depressão — marcos clínicos

A depressão é descrita desde a Antiguidade como melancolia, mas sua conceitualização como entidade clínica autônoma é recente. A trajetória vai dos humores hipocráticos à categoria operacional do DSM-III, passando pela farmacologia dos anos 1950 até novas terapêuticas no século XXI.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de TDM exige humor deprimido ou anedonia por pelo menos duas semanas, avaliação estruturada de risco suicida e rastreio ativo de episódios hipomaníacos prévios para excluir bipolaridade. A diferenciação com TAG, burnout, hipotireoidismo, anemia e deficiências vitamínicas (B12, D, folato) é obrigatória antes de iniciar tratamento.

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Burnout — marcos clínicos

A história do burnout é curta e bem documentada — nasce na clínica norte-americana dos anos 1970, ganha instrumento de medida nos anos 1980, é classificada como fenômeno ocupacional pela OMS em 2019 e segue ausente do DSM-5-TR.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o burnout não tem critério no DSM-5 e exige caracterização do contexto laboral crônico, com as três dimensões da CID-11: exaustão, distanciamento mental e queda de eficácia. Demanda diferenciação cuidadosa com transtorno depressivo maior, transtorno de adaptação e depressão atípica, que respondem a manejos distintos.

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Borderline — marcos clínicos

O conceito de personalidade borderline percorreu cerca de oito décadas — do uso descritivo entre neurose e psicose até a operacionalização diagnóstica e, mais recentemente, à proposta de modelos dimensionais de personalidade na CID-11 e na Seção III do DSM-5.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de TPB exige pelo menos cinco dos nove critérios do DSM-5 sustentados longitudinalmente, com instabilidade afetiva e relacional como padrão estável — não episódico. A diferenciação com bipolar II (episódios delimitados), TDAH adulto (impulsividade sem disforia interpessoal) e TEPT complexo (trauma estruturante) é o ponto de maior risco diagnóstico.

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Bipolar — marcos clínicos

A compreensão do transtorno bipolar atravessou quase dois milênios — da observação clínica greco-romana sobre alternância entre mania e melancolia à nosologia contemporânea, que distingue subtipos com base em padrões de episódios e resposta terapêutica.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de transtorno bipolar exige reconstrução longitudinal do humor, identificação retrospectiva de episódios hipomaníacos com duração mínima de quatro dias (DSM-5) e diferenciação cuidadosa com depressão unipolar, transtorno borderline, TDAH adulto e ciclotimia — pilares que sustentam decisão terapêutica adequada.

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Insônia — marcos clínicos

A compreensão clínica da insônia evoluiu de relatos médicos antigos sobre vigília patológica para um construto neurobiológico e cognitivo-comportamental — sustentado por classificações internacionais que hoje a definem como transtorno autônomo, não mais como sintoma secundário.

Na prática clínica: Na prática clínica atual, o diagnóstico de Transtorno de Insônia exige queixa de sono em ao menos três noites por semana há três meses ou mais, com prejuízo diurno, e diferenciação cuidadosa de apneia obstrutiva, depressão, ansiedade, disfunção tireoidiana e uso de cafeína ou álcool. A TCC-I é a primeira linha; hipnóticos entram de forma criteriosa e por tempo limitado.

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Síndrome de Asperger — diagnóstico com história própria

Descrita em 1944, formalizada por Lorna Wing em 1981, incluída no DSM-IV em 1994 e unificada no DSM-5 em 2013 dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA nível 1). A apresentação clínica não mudou — inteligência preservada, vocabulário rico, interesses circunscritos, dificuldades sociais marcantes — e parte significativa da literatura clínica defende o uso continuado do termo como marcador descritivo. Por densidade própria (testes históricos específicos, perfil feminino subdiagnosticado, "Manual do Asperger" de Aline Kislenko, diferenciação com TEA nível 1 genérico), a cronologia da Asperger vive em página dedicada.

Atendimento com Dr. David Sosa Dias

Médico psiquiatra com registro CRM-RJ 52.86494-3 e RQE 19051, residência em Psiquiatria pelo IPUB/UFRJ e mais de 15 anos de experiência clínica. Atendimento presencial no Instituto InMind, Rua Real Grandeza 108, sala 108 — Botafogo, Rio de Janeiro — e por telemedicina para pacientes em todo o Brasil, conforme diretrizes do Conselho Federal de Medicina.

Agendamento exclusivamente particular (sem convênios) pelo WhatsApp +55 21 98773-0686, de segunda a sexta, 09h às 19h. Cada caso recebe avaliação diagnóstica detalhada, plano terapêutico individualizado e acompanhamento longitudinal baseado em evidências.